Carros elétricos e gargalos na infraestrutura de recarga geram oportunidades e salários acima da média
Em um mundo cada vez mais dominado por telas e dispositivos que utilizam baterias de lítio e inteligência artificial (IA), como carros elétricos e smartphones, a energia elétrica vem ocupando lugar de destaque, inclusive para gerenciar o passivo ambiental ocasionado por tamanha demanda tecnológica. Neste cenário, o profissional de Engenharia Elétrica desponta como um dos grandes protagonistas desta verdadeira nova ordem mundial.
De grande relevância para a sociedade, a área de energia elétrica se ocupa do fornecimento e da infraestrutura do insumo – um dos principais ativos de um país – e do desenvolvimento de equipamentos e dispositivos elétricos e eletrônicos, incluindo eletrodomésticos, computadores, telefones, equipamentos médicos, elevadores e veículos, além de tecnologias de comunicação de dados, como as redes móveis (4G e 5G) e de fibra óptica. Ou seja: com praticamente tudo o que é mais indispensável na vida moderna.
Uma opção de excelência para adentrar este universo de possibilidades é o curso de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Maringá (UEM), classificado como o 2º melhor do País entre instituições estaduais de nível superior na última avaliação do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), realizada em 2023.
“A UEM é amplamente reconhecida como uma das melhores universidades do Brasil, e o curso de Engenharia Elétrica se destaca por uma combinação de rigor acadêmico, base de inovação tecnológica e forte inserção regional”, afirma o coordenador do curso, Rubens Zenko Sakiyama.

Professor Rubens Zenko Sakiyama, coordenador do curso de Engenharia Elétrica
O aluno Pedro Zanatta, atualmente no quarto ano do curso, corrobora as palavras do coordenador, valorizando a abrangência e o alcance da Engenharia Elétrica para outras áreas.
“É um curso muito versátil. Você consegue trabalhar na parte de automação industrial, ir para a área de eletrônica, microeletrônica e parte de controle. É uma imensidão de áreas”, explicou o estudante, que saiu da cidade de Pato Branco só para fazer o curso, oferecido em Maringá, a cerca de 500 km da cidade do sudoeste.
A versatilidade da Engenharia Elétrica se verifica na própria estrutura do curso, cuja matriz curricular foi submetida a ampla reforma entre 2018 e 2023 para atender a novas demandas do mercado e da sociedade, incluindo as do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), entidade que atua na regulação, fiscalização e valorização dos profissionais de Engenharia Elétrica.
Entre as novas exigências sociais e mercadológicas contempladas pelo curso de Engenharia Elétrica da UEM, se destacam a eletromobilidade e a articulação da área com a IA.
Eletromobilidade em alta
No tocante aos veículos eletrificados, a corrente inundação de carros elétricos no mercado brasileiro exigiu que os cursos de Engenharia Elétrica como o da UEM se adaptassem para formar profissionais capacitados à esta nova tendência automotiva. Inclusive de maneira a buscar soluções a problemas decorrentes desta demanda, como a urgente necessidade de infraestrutura de recarga.
“O curso agora precisa discutir a infraestrutura de recarga. Como carregar milhares de carros simultaneamente sem derrubar o sistema elétrico da cidade? Além do mais, o carro elétrico hoje é essencialmente um computador sobre rodas. Isso forçou uma integração maior com sistemas de controle para gerenciar a frenagem regenerativa – que recarrega a bateria ao frear – e a sistemas embarcados de tomada de decisão em tempo real para garantir a segurança e eficiência do veículo”, explica o coordenador.
A questão da sustentabilidade também mobiliza o curso de Engenharia Elétrica da UEM, já que o impacto ambiental da aplicação massiva da energia elétrica se tornou objeto de consideração do curso, que, com este novo cenário, precisa discutir o ciclo de vida dos materiais envolvidos e a matriz energética implicada.
Todas essas nuances relacionadas à eletromobilidade são perpassadas pelo curso, inclusive a partir de um projeto institucional de pesquisa para estudo e desenvolvimento de um Veículo Autônomo Sustentável Fotoelétrico (Vasfe), integrado por docentes e alunos de graduação e pós-graduação da UEM.
Além do Vasfe, o curso abrange um projeto de extensão – o Capibaja – no qual estudantes de Engenharia Elétrica, em conjunto com acadêmicos de Engenharia Mecânica e outras áreas, constroem um carro de competição off-road, que vem sendo progressivamente migrado da combustão para a eletricidade, servindo de laboratório para a nova matriz energética.
Para Zanatta, que participou do projeto em 2025 como diretor da área de elétrica, a iniciativa vai muito além da sala de aula.

Pedro Zanatta, aluno do curso, no lançamento do protótipo do veículo off-road produzido pelo projeto Capibaja
“É como se fosse uma empresa. Você participa de uma dinâmica em grupo e de um processo trainee para depois entrar. Eu nunca tinha ocupado um cargo de liderança de uma área com várias pessoas. Então, tive que aprender a fazer planejamento e a lidar com prazos. Errei muito, mas também acertei. A gente já aprende a empreender, com matérias relacionadas a empreendedorismo. Lidar com as questões de gestão de um projeto que tem, agora, 40 pessoas, é muito interessante de se ver na prática. E, é claro, tem a parte técnica, que chama mais a atenção. Somos privilegiados no Capibaja, pois temos uma área só para a gente, a da elétrica”, diz o estudante, que começou integrando o setor jurídico do projeto.
Convergência com a IA
Outro segmento em voga e explorado pelo curso é a IA. A convergência com a tecnologia possibilita que uma rede elétrica comum se torne uma smart grid – ou rede inteligente – e um carro elétrico, um veículo autônomo.
“No contexto acadêmico e profissional, a IA deixou de ser um tópico da Ciência da Computação para se tornar uma ferramenta fundamental de processamento de informação para o engenheiro eletricista. Na engenharia, a fonte principal de informações é proveniente de sensores. A IA não substitui o engenheiro, mas potencializa sua capacidade de lidar com sistemas complexos”, afirma Sakiyama.
O impacto da IA hoje é tão relevante para área de Engenharia Elétrica que o curso oferecido pela UEM conta com uma disciplina obrigatória e outras sete optativas exclusivamente voltadas à tecnologia, ministradas nas 4ª e 5ª séries, quando o aluno já tem carga suficiente dos assuntos tratados no curso.
Todo esse rol de possibilidades suscitado pela Engenharia Elétrica da UEM é liderado por um corpo docente gabaritado e dedicado a formar profissionais de excelência para um mercado de trabalho a cada dia mais exigente.
“A UEM apresentou professores muito bons para mim e eu acho que foi uma experiência muito boa porque [ministram] conteúdos que não se vê em nenhum outro lugar. Acho que todos são excepcionais no que fazem. Alguns cobram mais, alguns cobram menos, mas todos se mostram bastante disponíveis”, diz Zanatta.
Dois laboratórios – um de ensino e outro de informática – compõem a estrutura prática do curso, nos quais são ministradas disciplinas como Eletrônica de Potência, Princípio de Comunicações e Instrumentação Eletrônica no segmento de ensino e, no de informática, Projeto de Sistemas Digitais, Sistemas Inteligentes, Laboratório de Sinais e Sistemas, entre outras.
Extensão e Pesquisa
O curso de Engenharia Elétrica da UEM também é farto em projetos de extensão, promovendo uma ponte diversificada e qualificada da área com a sociedade em inciativas relevantes para Maringá e região.
Entre eles, destaque para o aprendizado de matemática por meio da robótica para crianças e adolescentes de escolas públicas – visando à melhora no desempenho escolar –, a promoção de cursos e treinamento de eletricidade básica para a comunidade e o projeto Ramo Estudantil IEEE, além de estágios não obrigatórios.
Os acadêmicos da Engenharia Elétrica da UEM também participam de projetos de extensão coordenados por outros cursos, como a Inovatech, empresa júnior do curso de Engenharia Mecânica e Elétrica, e o supracitado Capibaja, fortalecendo a interação da área com outros setores articulados ao uso da energia elétrica.
Em pesquisa, o curso também promove conexões com o mercado, facilitando a inserção do aluno, com docentes que oferecem oportunidades de participação no Programa de Iniciação Tecnológica, a partir do qual os temas desenvolvidos são direcionados à inovação tecnológica e à aplicação na indústria.
Mercado aquecido
Com a alta demanda por soluções em energia elétrica, o mercado de trabalho tem se mostrado favorável à área, com muitas oportunidades de estágio e emprego, principalmente no segmento veicular. A principal razão para este cenário positivo é a carência de infraestrutura ocasionada pela elevada procura por carros elétricos, que gerou uma escassez de profissionais qualificados para projetar, instalar e manter pontos de recarga.
“O Brasil enfrenta um déficit estrutural estimado em mais de 75 mil engenheiros em todas as áreas de engenharia. Na Elétrica essa carência é sentida especialmente na transição energética e na digitalização das redes e processos produtivos industriais”, afirma Sakiyama.
Neste cenário promissor, a área que mais tem empregado é a de energias renováveis e instalações elétricas, enquanto o setor de geração distribuída – a solar – e de instalações, que concentra as residenciais, prediais e industriais, respondem em maior volume de empregabilidade. Já a que paga melhor é a de sistemas elétricos de potência e gestão de energia.
De acordo com o coordenador, os salários mais altos costumam estar onde a especialidade é requerida e na qual a regulamentação é exigente. O melhor exemplo é o tripé Geração, Transmissão e Distribuição (GTD). Grandes concessionárias e transmissoras pagam salários acima da média para engenheiros que operam o Sistema Interligado Nacional (SIN), a rede de produção e transmissão de energia elétrica que conecta as regiões Sul, Sudeste, Centro-oeste, Nordeste e parte do Norte do Brasil.
“De forma geral, um engenheiro eletricista recém-formado possui faixa salarial mensal de R$ 6.300 a R$ 9.500 e um pleno de projetos de R$ 10.500 a R$ 14.500, enquanto um sênior que atua na área de gestão de operações de energia, entre R$ 20.000 a R$ 35.000. No Paraná, atualmente, o valor médio do salário do engenheiro eletricista é de aproximadamente R$ 7.500”, diz o coordenador.
A Engenharia Elétrica ainda tem a vantagem de poder se articular a outros cursos, aumentando substancialmente o alcance da área e, portanto, a empregabilidade.
“A Engenharia Elétrica dá a base para trabalhar com qualquer coisa que envolva eletricidade. Então existem outras engenharias, como, por exemplo, engenharia eletrônica, engenharia de controle e automação, todas vertentes da elétrica. A gente acaba estudando essas matérias também, numa carga horária menor, mas ainda assim temos preparo para trabalhar com isso no futuro, caso a gente queira”, explica o estudante do 4º ano.
Sobre o curso
O curso abrange as seguintes áreas de atuação: sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica; sistemas de telecomunicações; controle e automação industrial; eletrônica analógica, digital e de potência; instalações elétricas residenciais, prediais e industriais e Engenharia Biomédica.
Vinculado ao Centro de Tecnologia (CTC), a Engenharia Elétrica da UEM é oferecida no Câmpus Maringá em período integral – manhã e tarde –, com duração de 5 anos, proporcionando ao estudante o grau de bacharel em Engenharia Elétrica na melhor Universidade estadual do Sul do Brasil.
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