Na Fazenda Experimental de Iguatemi teoria e prática se unem para impulsionar inovação e aprendizado
Em 6 de novembro de 1969, a lei estadual nº 6.034 autorizou a criação da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Neste dia ,6, em que a UEM sopra velinhas de 56 anos de existência, como patrimônio educacional do Paraná, a universidade comemora sua expansão e consolidação como um dos maiores polos de ensino, pesquisa e extensão do país e do mundo.
Com uma formação multi-campi em Maringá (sede), Cianorte, Cidade Gaúcha, Diamante do Norte, Goioerê, Ivaiporã e Umuarama, a instituição conta também com uma base avançada de pesquisa em Porto Rico e uma Estação Experimental de Piscicultura, em Floriano. Além de duas fazendas: uma no câmpus de Umuarama e outra no distrito de Iguatemi.
A Fazenda Experimental de Iguatemi
Localizada a 18 quilômetros do câmpus sede da UEM, a Fazenda Experimental de Iguatemi (FEI) foi a primeira estrutura inaugurada fora do câmpus sede, na década de 70. O espaço abriga dois grandes setores: um agrícola e outro zootécnico. Em um perímetro de extensão de 155 hectares, a FEI tem por objetivo dar suporte para aulas, práticas de estágio, pesquisa e extensão.
Registro histórico do dia da inauguração da Fazenda Experimental de Iguatemi, marco importante para a UEM
O coordenador geral da FEI e professor do Centro de Ciências Agrárias (CCA/UEM), Vagner de Alencar Arnaut de Toledo, conta que existem vários projetos sendo desenvolvidos dentro da estrutura, que vão desde a iniciação científica até o doutorado. Ele explica que a Fazenda abriga mais de duas mil aves, 20 vacas leiteiras e cerca de 320 suínos. “Aqui os alunos podem desenvolver pesquisas com os animais voltadas ao desempenho, teste de novas rações, ganho de peso e outros estudos”, diz.
O professor Arnaut de Toledo, do departamento de Zootecnia, já ministrou as disciplinas de Apicultura, Meliponicultura, Endocrinologia,
Fisiologia da Digestão e dos Animais Domésticos
O Setor Zootécnico
O Setor de Zootecnia está subdividido e estruturado de acordo com as especialidades dos cursos de graduação e pós-graduação da UEM. Em razão disso, conta com a criação de cabras, coelhos, abelhas com ferrão, de aves nas linhagens branca e vermelha e de bovinos de leite e de corte.

Mel produzido pelas abelhas pode ser comprado no mercadinho da UEM
O espaço ainda abriga outras espécies de estudo, criação e manejo como cavalos, asnos, jumentos, jegues, burros, porcos, ovelhas e mulas. A estrutura conta, também, com um setor multi-laboratorial como o de Transferência de Embriões e Forragicultura que complementam as atividades desenvolvidas no câmpus sede, com referência ao ensino e pesquisa.
Outro espaço fundamental é o Centro de Referência em Pesquisa e Desenvolvimento em Suinocultura (Cerpedes) que há mais de 40 anos atua como um espaço estratégico para estudos aplicados e formação de profissionais na área de produção. Coordenado pelo professor Paulo Cesar Pozza, o centro reúne uma infraestrutura completa para o ciclo produtivo desde a reprodução à terminação dos animais e abriga projetos científicos em parceria com instituições de fomento, como CNPq, CAPES e Fundação Araucária.
Em setembro deste ano, o Cerpedes ganhou reforços: uma maternidade climatizada, estrutura para conforto térmico, sistema de gestação coletiva e comedouros eletrônicos foram inaugurados com o objetivo de aprimorar as práticas e a investigação científica dos alunos.

O Cerpedes fornece proteína suína ao Restaurante Universitário
Aliada do ensino, pesquisa e extensão
Desde os primeiros anos da graduação os alunos podem desenvolver projetos, pesquisas e usar a estrutura da Fazenda para fortalecer o tripé ensino, pesquisa e extensão. A aluna do curso de Zootecnia, Yasmin Carvalho, desenvolve já no primeiro ano práticas de manejo geral com os animais. Para ela, unir o conteúdo da sala de aula com a prática de campo serve para ampliar os horizontes da graduação. “Às vezes a gente vê alguma coisa em sala de aula e aquilo parece estar muito longe da realidade. Por vezes parece que não vamos usar na prática. Mas aí a gente chega aqui e consegue aplicar tudo aquilo que está em sala de aula com os animais”, explica.
Yasmin é uma das responsáveis por alimentar os animais, cuidar da limpeza das baias e organizar o setor das cabras
O contato com a FEI percorre todos os anos da graduação. Exemplo disso é o graduando do último ano do curso de Zootecnia, Andre Favaro, que está desenvolvendo seu Trabalho de Conclusão de Curso na Fazenda. “Ter esse contato em campo é muito melhor do que ficar só na sala de aula. A parte prática possibilita a nós irmos ao mercado de trabalho já com experiência”, conta.
Trabalho desenvolvido por Favaro avalia a alimentação de bovinos
Para dar suporte às pesquisas com animais na área de Zootecnia, uma fábrica de rações própria compõe o espaço. Ali são processados alimentos conforme as demandas específicas de cada experimento. A estrutura permite que professores e estudantes formulem dietas balanceadas de acordo com os objetivos das pesquisas, garantindo precisão e qualidade nos estudos de nutrição animal.
O setor atende diferentes criações mantidas na Fazenda. Essa autonomia na produção das rações reforça o caráter experimental e multidisciplinar da FEI, permitindo o desenvolvimento de pesquisas aplicadas e contribuindo tanto para a formação prática dos estudantes quanto para o avanço científico na área de produção animal.
O Setor Agrícola
Ligado ao curso de graduação e ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia da UEM, o Setor Agrícola atua em diversas frentes do conhecimento dentro da Fazenda, que vão desde a germinação, concepção e preservação de plantas.

No setor de agroecologia da FEI, há um setor pioneiro de produção orgânica, ou seja, sem o uso de agrotóxicos
O espaço abriga o plantio de várias culturas anuais - que são aquelas plantas que completam todo o seu ciclo de vida, da germinação até a morte, dentro de um único ano ou estação de crescimento. O setor se dedica, também, ao estudo de diversas espécies frutíferas e de café.
A estrutura, ainda, comporta áreas de investigação de métodos naturais e artificiais para regenerar e melhorar os povoamentos florestais; estudos botânicos das espécies; identificação, caracterização e prescrição da utilização das madeiras; e conservação de solos. A FEI conta com dois laboratórios agrícolas: um de análise de sementes e outro de entomologia.

Produção de silagem e o cultivo de milho oferece oportunidade para o avanço das pesquisas e das práticas em Agronomia
Além disso, um Centro de Treinamento em Mecanização Agrícola dá suporte ao desenvolvimento de pesquisas nas diferentes áreas da Agronomia. “Nós temos um setor de agroecologia, plantio de soja e milho, tanto para selagem quanto em grão e muitos projetos que estão sendo desenvolvidos pela universidade”, conta o professor coordenador geral.
Luz na passarela que lá vem ela: a FEI
Os laboratórios e a infraestrutura possibilitam aos alunos da UEM desenvolverem pesquisas nos mais diferentes campos do conhecimento. Como é o caso da “rainha do couro de tilápia do Brasil”, graduada em Zootecnia pela UEM, Amanda Hoch apresentou sua pesquisa em uma das mais importantes passarelas do Brasil.
Foi no Laboratório de Processamento de Peles de Pequenos e Médios Animais, da FEI, que nasceu o couro de tilápia que ganhou destaque na 58ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW). Sob orientação da professora Maria Luiza Rodrigues de Souza, a pesquisa “uniu a produção e a moda”, explicou.

Roupas confeccionadas com a pele do peixe também fizeram parte dos desfiles da Santa Catarina Fashion Week
(Foto: @leviossa.tm e @agfotosite)
Coordenado pela professora orientadora do projeto, do Departamento de Zootecnia (DZO), o laboratório integra ensino, pesquisa e extensão, oferecendo suporte tanto a disciplinas da graduação quanto da pós-graduação em Zootecnia. No local, são aplicadas diferentes técnicas de curtimento em peles de espécies diversas de peixes de água doce e salgada, rãs, coelhos, caprinos, jacarés, avestruzes e até partes específicas de bovinos e ovinos. Além do processamento, o laboratório realiza testes físico-químicos e físico-mecânicos, análises de histologia e microscopia eletrônica de varredura, em parceria com outros setores da UEM.
Essa estrutura possibilitou o desenvolvimento do couro de tilápia que chegou às passarelas. O laboratório é exemplo da capacidade de articulação entre diferentes áreas de ensino presentes na FEI, onde iniciativas em produção animal, sustentabilidade e inovação tecnológica caminham lado a lado.
Do campo para bandeja
Não somente a estrutura é peça fundamental para a formação de profissionais e pesquisadores, a FEI colabora para a permanência estudantil. Parte da produção da Fazenda serve ao Restaurante Universitário (RU).

Com o retorno do café da manhã na UEM, em fevereiro de 2024, ovo, leite e queijo da FEI marcam presença na rotina universitária
Um dos principais produtos é o ovo, em que a produção mensal gira em torno de 10 mil unidades. O Grupo de Estudo em Morfofisiologia Animal (Gemorfia), sob coordenação da professora Tatiana Carlesso dos Santos, é o responsável pelo manejo das galinhas poedeiras e pelo controle de qualidade da produção. Desde fevereiro de 2023, a equipe já fez a entrega de mais de 555 mil ovos ao Restaurante Universitário e ao mercadinho do programa.
Frutas e verduras orgânicas servidas no RU nas três refeições vindas da Fazenda garantem alimentação balanceada, fresca e saudável a todos. Outros produtos como carnes (bovinas e suínas) e grãos, advindo do Programa Alimentos Solidários e Agricultura Sustentável (Pasas) e produzidos na FEI, podem ser adquiridos pela comunidade interna e externa no mercadinho da UEM.
Certificação ODS
Em março de 2025, o Projeto de Visitação à Fazenda Experimental de Iguatemi sob a coordenação do professor Antonio Carlos Andrade Gonçalves recebeu a certificação dos ODS 2, 4, 11, 12, 13 e 15. Concedida pelo Instituto Selo Social, em parceria com o GT Agenda 2030 e o programa UnB 360, que reconhece instituições de ensino que desenvolvem ações em sintonia com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
*Texto redigido com a supervisão dos jornalistas da Assessoria de Comunicação Social (ASC)


